“Quando Caetano se rendeu, houve espumante para todos”

Joaquim de Almeida nasceu em Lisboa, em 1957. Com o encerramento do Conservatório Nacional, muda-se para Viena e depois para os EUA, em 1976. Começa a carreira cinematográfica na década de 80. Hoje, é dos mais internacionais atores portugueses. Adquire a cidadania americana em 2005
Joaquim de Almeida nasceu em Lisboa, em 1957. Com o encerramento do Conservatório Nacional, muda-se para Viena e depois para os EUA, em 1976. Começa a carreira cinematográfica na década de 80. Hoje, é dos mais internacionais atores portugueses. Adquire a cidadania americana em 2005

Onde é que estava no dia 25 de Abril?

Estava em casa dos meus pais, em Lisboa.

Qual foi a sua reação?

O meu pai acordou a família toda e ficámos todos a ver o Fialho Gouveia, cada vez mais cansado à medida que a revolução se ia tornando uma realidade. Quando o Caetano se rendeu, houve espumante para todos.

Que episódio o marcou mais?

A abertura das portas e a libertação dos presos políticos em Caxias.

Qual é a figura que na sua opinião marcou o 25 de Abril?

Sem dúvida, o Salgueiro Maia. Mas ficou-me sempre na memória a figura do general Spínola com o seu monóculo, no seu primeiro discurso aos portugueses. Parecia uma figura saída das aventuras do Tintim.

O que mudou na sua vida pessoal?

Eu já tinha estado nas democracias do Norte da Europa, mas o sentido de liberdade só então foi totalmente assimilado. Por outro lado, a falta de verbas obrigou ao fecho do Conservatório Nacional, que foi o que me levou a emigrar.

O que de positivo trouxe o 25 de Abril?

A liberdade de expressão e a consciencialização política do povo, a democratização da sociedade.

E de negativo?

O estabelecimento da corrupção e o aproveitamento de alguns sectores da nova classe política para enriquecer, assim como a falta de valores morais.

O que falta mudar?

Neste momento, eu diria quase tudo.

Ainda faz sentido falar nos ideais de Abril?

Os ideais de uma maior igualdade e distribuição da fortuna são hoje, mais do que nunca, uma necessidade.

O que acha quando se diz que Portugal precisa de uma nova revolução?

Faz muito sentido. Não de uma revolução armada, mas uma revolução na classe política e na distribuição da riqueza. Uma revolução na produção e valores dos portugueses, na contribuição de todos para um Portugal melhor.

Entrevista editada por Bárbara Cruz

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