“Foi um momento único. Mas nenhum ferro nos marcou”

Luis Miguel Cintra
Luís Miguel Cintra nasceu em Madrid, em 1949. Estudou filologia românica e representação. Em 1973 fundou o Teatro da Cornucópia, com Jorge Silva Melo, companhia que hoje dirige. Ao lado, numa imagem de 1974, com Glicínia Quartim e Augusto de Figueiredo, na peça O Terror e a Miséria no III Reich

Onde estava no 25 de Abril?

Em Lisboa.

Qual foi a sua reação?

Reação? A reação era o inimigo.

Que episódio o marcou mais?

Não foi em episódios. Foi um momento único. Mas nenhum ferro nos marcou.

Qual é a figura que na sua opinião marcou o 25 de Abril?

O 25 de Abril foi marcado por alguma figura? Foi organizado por várias, suponho. Foi feito pelo Mo­vimento das Forças Armadas.

O que mudou na sua vida pessoal?

No dia 25 de abril? Tudo. Todas as agendas de todas as pessoas se alteraram.

O que de positivo trouxe o 25 de Abril?

Porquê? Acha que não trouxe nada?

E de negativo?

O 25 de Abril não trouxe nada de negativo. E nem tudo o vento levou.

O que falta mudar?

Tudo. Quarenta  anos depois, o que falta mudar não é o mesmo com certeza. O tempo passa…

Ainda faz sentido falar nos ideais de Abril?

Eu nunca falei assim… Mas gosto de ideais e de ideias. Gostava que toda a gente as tivesse em qualquer mês do ano.

O que acha quando se diz que Portugal precisa de uma nova revolução?

Não sei se está certo que se fale do 25 de Abril como uma revolução. Apesar de ter havido muitos revolucionários que tentaram que ela existisse e bastante trabalharam para isso. Mas como são agora as revoluções? E “cadê” os revolucionários? Você é revolucionária? Eu sou revolucionário? Acho que não. Há poucos.

Entrevista editada por Bárbara Cruz

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