“A memória que tenho é a de um tempo que chegava ao fim”

Paulo Portas nasceu em Lisboa, em 1962. Licenciou-se em Direito e fundou o semanário O Independente. Em 1995 é eleito deputado pelo Partido Popular. Foi ministro de Estado e da Defesa entre 2002 e 2004. É líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro do atual Executivo.
Paulo Portas nasceu em Lisboa, em 1962. Licenciou-se em Direito e fundou o semanário O Independente. Em 1995 é eleito deputado pelo Partido Popular. Foi ministro de Estado e da Defesa entre 2002 e 2004. É líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro do atual Executivo.

Onde é que estava no dia 25 de Abril?

Em minha casa, em Lisboa. Estranhei ninguém me ter acordado, muito cedo de manhã, para ir para o colégio. Mais tarde, disseram-me que havia uma revolução.

Qual foi a sua reação?

Tinha 11 anos, mas não se assistem a muitas revoluções numa vida. Na minha família havia muitas opiniões, claro, e a memória que tenho é a de um regime ou de um tempo que chegava ao fim. Também me lembro de muita gente na rua no 1.º de Maio.

Que episódio o marcou mais?

Do próprio dia, toda a gente a seguir as notícias. Do PREC tenho memórias difíceis: no fundo, o dilema entre a legitimidade revolucionária e a democrática, e o que isso significa na vida de um país e de cada família.

Qual é a figura que na sua opinião marcou o 25 de Abril?

O marechal Spínola e a importância que teve o livro Portugal e o Futuro. Não porque o tivesse lido na altura, mas porque ouvira falar muito do livro que vinha aí…

O que mudou na sua vida pessoal?

Os jesuítas são sábios e houve algumas mudanças no colégio. Depois, vivi a minha adolescência no meio do PREC, com a súbita sensação que a liberdade morria ou vivia ali.

O que de positivo trouxe o 25 de Abril?

Primeiro, a liberdade – só verdadeiramente confirmada no 25 de Novembro. Depois, uma visão europeia de Portugal, que alterava o conceito estratégico do País.

E de negativo?

Do 25 de Abril, nada, porque foi pacífico. Em Portugal, os regimes caem assim. Do processo revolucionário que se seguiu, recordo coisas negativas: as nacionalizações, os abusos da reforma agrária, uma sensação de confronto diário na rua que me levaria a dar atenção à política.

O que falta mudar?

Tento ser equilibrado nestas perguntas: falta conservar o que está bem e reformar o que está mal. Por exemplo, falta modernidade ao sistema político.

Ainda faz sentido falar nos ideais de Abril?

Faz sentido falar em ideais. Mais do que sentido, faz falta.

O que acha quando se diz que Portugal precisa de uma nova revolução?

Acho mal.

Entrevista editada por Bárbara Cruz

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