“É preciso renovar permanentemente o apego à liberdade”

António José Seguro nasceu em 1962. Licenciado em Relações Internacionais › Foi secretário-geral da Juventude Socialista › Secretário de Estado da Juventude, secretário de Estado adjunto do primeiro--ministro e ministro adjunto do primeiro-ministro António Guterres › Líder do PS desde 2011 › Mostra a edição de maio de 74 do Portugal Socialista, primeiro número após o 25 de Abril
António José Seguro nasceu em 1962. Licenciado em Relações Internacionais. Foi secretário-geral da Juventude Socialista. Secretário de Estado da Juventude, secretário de Estado adjunto do primeiro--ministro e ministro adjunto do primeiro-ministro António Guterres. Líder do PS desde 2011. Mostra a edição de maio de 74 do Portugal Socialista, primeiro número após o 25 de Abril

Onde é que estava no dia 25 de Abril?

Em Penamacor, a minha terra natal. Quando chegou a notícia estava na escola, no ciclo preparatório.

Qual foi a sua reação?

De alegria! Havia alegria entre os professores e na minha família. Eu tinha 12 anos mas lembro-me bem da alegria das pessoas na rua, uma espécie de felicidade coletiva.

Que episódio o marcou mais?

A notícia de que nem eu nem o meu irmão Luís – nem mais nenhum jovem – iríamos combater para a guerra do ultramar, como então se dizia.

Qual é a figura que na sua opinião marcou o 25 de Abril?

Vários portugueses, entre eles os capitães de Abril. Destaco o capitão Salgueiro Maia. A coragem, a capacidade de comando e a firmeza com que enfrentou os últimos resistentes do Estado Novo e, cumprida a missão, a forma nobre e simples como assumiu a sua dupla condição de cidadão e de militar.

O que mudou na sua vida pessoal?

Na vida pessoal, o que recordo é o ambiente festivo e febril daqueles dias, na escola, em casa, nas conversas. E a atenção permanente às notícias mais do que às atividades típicas daquela idade. Seguiu-se o despertar para a participação cívica, através de atividades culturais e da fundação do jornal A Verdade de Penamacor. Seis anos mais tarde, e como consequência dessa participação cívica, a entrada na política com a adesão ao Partido Socialista e à Juventude Socialista.

O que de positivo trouxe o 25 de Abril?

A liberdade, a dignidade, o progresso, a proteção social e a qualidade de vida para a maioria dos portugueses. Foram 40 anos de liberdade, de progresso e de desenvolvimento, a pobreza e o analfabetismo diminuíram. O acesso universal à educação, aos cuidados de saúde e à segurança social são uma forte marca destas quatro décadas de democracia. Juntamente com a liberdade, a educação, a saúde e os direitos sociais são o que a maioria dos portugueses – e bem – mais identifica com o 25 de abril.

E de negativo?

O 25 de Abril não trouxe nada de negativo nem a Portugal nem aos portugueses.

O que falta mudar?

Para responder a esta pergunta preciso de mais espaço do que aquele de que disponho. Mas tentarei resumir em duas ideias: igualdade de oportunidades para todos e confiança na nossa capacidade coletiva para construirmos um futuro melhor.

Ainda faz sentido falar nos ideais de Abril?

Claro que sim. Há ideais mais nobres do que os ideais de Abril? A liberdade e o respeito pela dignidade da vida humana. O ideal de uma sociedade baseada no princípio da igualdade e o princípio democrático na organização do Estado são e continuarão a ser ideais pelos quais valerá sempre a pena lutar na vida cívica e na vida política.

O que acha quando se diz que Portugal precisa de uma nova revolução?

Thomas Jefferson – um político e um pensador universalmente admirado – escreveu, e cito de memória, que uma revolução de vez em quando é sempre uma coisa positiva para a causa da liberdade. Nesta metáfora há uma lição a reter: a ideia de que é preciso renovar permanentemente o nosso apego ao valor da liberdade.

Entrevista editada por Bárbara Cruz

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