“As desigualdades sociais até se aprofundaram”

Rui MOreira  Nasceu em 1956 › Licenciou-se em Gestão de Empresas em 1978, pela Universidade de Greenwich › Em 2001 foi eleito presidente da Associação Comercial do Porto › É presidente da Câmara  do Porto desde 2013 › Na foto antiga, ao meio, nas  primeiras eleições para a União de Estudantes Democratas e Independentes do Liceu Garcia de Orta, após o 25 de Abril. Foi eleito presidente
Rui Moreira Nasceu em 1956. Licenciou-se em Gestão de Empresas em 1978, pela Universidade de Greenwich. Em 2001 foi eleito presidente da Associação Comercial do Porto É presidente da Câmara do Porto desde 201 Na foto antiga, ao meio, nas primeiras eleições para a União de Estudantes Democratas e Independentes do Liceu Garcia de Orta, após o 25 de Abril. Foi eleito presidente.

Onde é que estava no dia 25 de Abril?

Quando ocorreu a Revolução do 25 de Abril eu estava em casa. Frequentava o Liceu Garcia de Orta e não tive, nessa altura, a noção exata do que se estava a passar.

Qual foi a sua reação?

Soube dos pormenores da notícia pelo motorista do meu tio, que tinha ficado de ir buscá-lo ao aeroporto e se deparou com a estrada cortada. A única coisa que sabia é que as tropas eram do “reviralho”.

Nesses primeiros momentos, não consegui avaliar bem as consequências para o País.

Que episódio o marcou mais?

O facto de o meu pai, que nunca foi apoiante do antigo regime, ter sido preso pouco tempo depois do 25 de Abril. Foi capturado por engano por uma “soldadesca” que tentou raptar a revolução 26

Qual é a figura que na sua opinião marcou o 25 de Abril?

Salgueiro Maia e, mais tarde, Ramalho Eanes.

O que mudou na sua vida pessoal?

Poder viver em liberdade. Só quem viveu sem ela consegue compreender o significado da liberdade.

O que de positivo trouxe o 25 de Abril?

É preciso não confundir o 25 de Abril com atos que se seguiram à revolução e que nada têm que ver com o movimento de libertação do País.

Se puder eleger três pontos, diria a liberdade, os direitos das mulheres e o acesso de todos à edução. De facto, essas foram as três grandes conquistas de Abril.

E de negativo?

A confusão entre liberdade e impunidade. Também a fobia ao mérito, que já existia, mas que a Constituição, pós-revolução veio institucionalizar e que faz muito mal ao País ainda hoje.

O que falta mudar?

As desigualdades sociais que continuam a existir e até se aprofundaram. Essa é a promessa de Abril mais frustrada.

O País continua mergulhado num clima de desigualdade muito profundo e preocupante e que afeta diretamente os outros ideais de Abril, porque sem coesão social não há liberdade plena.

Ainda faz sentido falar nos ideais de Abril?

Sim enquanto não forem verdadeiramente cumpridos. Só nos esqueceremos deles quando não precisarmos de os evocar.

O que acha quando se diz que Portugal precisa de uma nova revolução?

Esse é o argumento daqueles que não querem a evolução nem a reforma do regime e das mentalidades.
E não confiam na capacidade dos cidadãos.

O que Portugal precisa é que se cumpra a cidadania e cada um de nós, individual ou coletivamente, cumpra os seus deveres e direitos. E isto é válido tanto para o sistema político e partidário como para os movimentos de cidadania.

Entrevista editada por Bárbara Cruz

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