O facebook do 25 de Abril de 1974 – Os homens sem sono

MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS04.26: Houve a emissão do primeiro comunicado, que devia ter sido às 04.00. As tropas que iam tomar o aeroporto chegaram um pouco atrasadas e obrigaram-nos a adiar a emissão do comunicado para haver coordenação entre os militares que estavam a conduzir as operações. Os primeiros quatro comunicados foram repetidos e já iam redigidos. Com o mesmo texto, muito simples, que pedia apenas às pessoas para não saírem à rua, visto que havia perigo de confrontos militares. E apelava aos serviços médicos para permanecerem em alerta e dirigirem-se aos hospitais, no caso de haver feridos.

O pedido não foi respeitado pelas pessoas, que vieram todas para a rua. E, na minha opinião, ainda bem, porque nos deu uma força grande para o desenvolvimento das operações durante o resto do dia. O povo inibiu as forças contrárias de operarem conforme pretendiam. Essa desobediência civil foi fundamental para o sucesso do 25 de Abril. Logo após o primeiro comunicado as pessoas começaram a afluir ao RCP, onde houve algumas cenas caricatas com indivíduos irritados porque os militares que ali se encontravam não as deixarem circular como queriam. Houve quem pensasse que o golpe era de extrema-direita. Lembro-me até de um caso de um popular a quem tive de dizer “Vá sossegado para casa e ouça a rádio. Vai ver que vai ter uma surpresa agradável”.

Permanecemos, sem sair, no RCP até ao dia 26, daí terem-nos chamado os homens sem sono. Passámos praticamente duas noites seguidas sem dormir.

O general (na altura major) Costa Neves liderou o grupo n.º 10 que ocupou o Rádio Clube Português

Apoio da Associação 25 de Abril

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