O DN de24 de abril de 1974

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A direção do Diário de Notícias, em “Balas de papel”, denuncia a campanha da imprensa estrangeira  que “profetiza a desgraça, imagina  desenlaces, como se o fim de regime estivesse à vista ou as figuras que o representam houvessem deixado de merecer a confiança do País”. Enfim, manejos  de membros “atentos e disciplinados das internacionais Socialista e  Comunista. Na  Assembleia Nacional começa um debate que  lance  feliz da História deixará  inacabado. Os deputados discutem as  “contas públicas de 1972”.  Antes da ordem do dia, Nuno  TristãoNeves, preocupado,  pede a intervenção do Governo para debelar a praga que assola as searas alentejanas. É o piolho do trigo, esclarece o deputado, e só poderia ser combatido através de um tratamento de inseticida a aplicar por via aérea.

Por Francisco Mangas

O DN de 23 de abrl de 1974

DN_19740423_01_001_LUm soldado português escreve uma carta aberta ao senador  Tunney, político norte-americano que contestava a posição portuguesa no Ultramar. Euclides Delmar Álvares, residente na Califórnia, apresentado pelo Diário de Notícias como militar “que se  bateu em terras de Angola”, convida o senador a visitar as colónias portuguesas: “Por que não vai sr. Tunney ao nosso Ultramar ver as crianças negras e brancas receberem instrução primária nas carteiras da mesma escola, brincarem nos mesmos parques?” Em Belém, Tomás, chefe  do Estado, “aceitou o convite” para visitar  a Feira Nacional da Agricultura. No Brasil, o embaixador José Hermano Saraiva, num discurso no dia da Comunidade Luso-Brasileira, afirmava: “Nós, portugueses, cremos no homem, na liberdade  e na paz.”

Por Francisco Mangas

O DN de 22 de abril de1974

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O jornal Brasil-Portugal, do Rio de Janeiro, atribuía as medalhas de mérito D. João VI ao presidente do Brasil, general Ernesto  Geisel, e o seu antecessor na ditadura militar, general Emílio Médici.  Seriam distinguidos também Marcello Caetano, chefe do Governo português, e  Baltazar Rebello  de Sousa, ministro do Ultramar. A cerimónia,  integrada no programa das comemorações do Dia da Comunidade Luso--Brasileira, decorreu no salão nobre doLiceu Literário Português.  O Parlamento  Europeu propunha o estudo do emprego do latim como idioma de comunicação entre os países membros da CEE. “Se os ‘nove’ falassem latim corretamente  ficariam superados muitos dos problemas suscitados desde o início das relações internas do bloco pelas diferenças de idioma.”

Por Francisco Mangas

O DN de 21 de Abril de 1974

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Um incêndio, de madrugada, destruía parte da Universidade do Porto. As chamas atingiram a Reitoria, os arquivos “e praticamente todos os serviços centrais, o Senado e o salão nobre, e instalações das faculdades de Ciências e de Economia”. Em Lisboa, no Palácio Nacional de Belém, almoçavam com o chefe do Estado, almirante Américo Tomás, o presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, os presidentes da Assembleia Nacional, da Câmara Cooperativa e do Supremo Tribunal de Justiça, o ministros da Defesa Nacional, do Interior, da Justiça e das Finanças, entre outras “destacadas figuras da vida nacional”. Nas presidenciais francesas, os dirigentes do Partido Gaulista (UDR), “gravemente dividido”, apelavam para que todos os seus militantes “se unam a Chaban-Delmas”.

Por Francisco Mangas