“Portugal não precisa de uma nova revolução”

Jorge Miranda › Nasceu em Braga em 1941 › Licenciado em Direito e doutor em Ciências Jurídico-Políticas › Constitucionalista e professor catedrático › Foi deputado à Assembleia Constituinte › Na foto antiga, de 74, na  posse da Comissão da Lei Eleitoral para a  Assembleia Constituinte
Jorge Miranda nasceu em Braga em 1941. Licenciado em Direito e doutor em Ciências Jurídico-Políticas. Constitucionalista e professor catedrático, Foi deputado à Assembleia Constituinte, Na foto antiga, de 74, na posse da Comissão da Lei Eleitoral para a Assembleia Constituinte

Onde é que estava no 25 de Abril?

Era assistente universitário e estava, nessa manhã, em casa a trabalhar na preparação da minha tese de doutoramento. Só tinha aulas à tarde. Cerca das 10.00 chegou a minha mulher,  do ministério onde trabalhava como jurista, dizendo que os serviços estavam fechados ou iam fechar, porque havia uma revolução. Fiquei surpreendido, ninguém me tinha dito nada. Só depois soubemos que por morarmos na Estrada da Luz, perto da Pontinha, as comunicações telefónicas estavam interrompidas pelos revolucionários. Ligando para a Emissora Nacional, logo percebemos que, desta vez, era diferente do 16 de março. Resolvi sair e dirigi-me à casa dos meus pais na Rua Pinheiro Chagas, perto do quartel-general da região militar de Lisboa. Estava cheia de soldados, mas deixaram-me passar. Os meus pais estavam também felizes e com o meu pai consegui ir ao Rossio. Perto do meio-dia vimos passar uma coluna militar, a de Salgueiro Maia, que se dirigia para o Carmo. Mas nesse dia não voltaria ao centro da cidade, a minha mulher estava grávida. Limitámo-nos a ouvir rádio e, depois, a ir à casa de um vizinho ver televisão (antes, não queríamos ter televisão).

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