“No imediato, pensei tratar-se de um golpe da extrema-direita”

José Manuel Constantino nasceu em Santarém em 1950. Licenciou-se em Educação Física e foi atleta federado. Presidiu o Instituto do Desporto de Portugal. É presidente do Comité Olímpico de Portugal desde 2013. Mostra fotografia sua da década de 70.
José Manuel Constantino nasceu em Santarém em 1950. Licenciou-se em Educação Física e foi atleta federado. Presidiu o Instituto do Desporto de Portugal. É presidente do Comité Olímpico de Portugal desde 2013. Mostra uma fotografia sua da década de 70. (Steven Governo/Global Imagens)

Onde é que estava no dia 25 de Abril?

Na noite anterior tinha estado a distribuir panfletos na zona operária de Outurela, apelando à participação nas comemorações do 1.º de Maio. Quando cheguei, de manhã, ao INEF [Instituto Nacional de Educação Física], informaram-me do que se passava. Eu estava organizado numa célula de estudantes da extrema-esquerda e imediatamente recebemos orientações no sentido de nos deslocarmos para o Rossio e procurar influenciar os militares no sentido de derrubarem a ditadura.

Qual foi a sua reação?

No imediato, pensei tratar-se de um golpe da extrema-direita. Mas felizmente estava enganado. E quando fui para o Rossio percebi que a motivação era mesmo a de derrubar o fascismo. Assisti a todas as movimentações no Largo do Carmo e fiquei estupefacto quando percebi que a coluna militar de assalto ao quartel era comandada por um oficial que eu conhecia de Santarém: Salgueiro Maia.

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