
Onde é que estava no dia 25 de Abril?
Estava em casa dos meus pais, em Lisboa.
Qual foi a sua reação?
O meu pai acordou a família toda e ficámos todos a ver o Fialho Gouveia, cada vez mais cansado à medida que a revolução se ia tornando uma realidade. Quando o Caetano se rendeu, houve espumante para todos.
Que episódio o marcou mais?
A abertura das portas e a libertação dos presos políticos em Caxias.
Qual é a figura que na sua opinião marcou o 25 de Abril?
Sem dúvida, o Salgueiro Maia. Mas ficou-me sempre na memória a figura do general Spínola com o seu monóculo, no seu primeiro discurso aos portugueses. Parecia uma figura saída das aventuras do Tintim.
O que mudou na sua vida pessoal?
Eu já tinha estado nas democracias do Norte da Europa, mas o sentido de liberdade só então foi totalmente assimilado. Por outro lado, a falta de verbas obrigou ao fecho do Conservatório Nacional, que foi o que me levou a emigrar.
O que de positivo trouxe o 25 de Abril?
A liberdade de expressão e a consciencialização política do povo, a democratização da sociedade.
E de negativo?
O estabelecimento da corrupção e o aproveitamento de alguns sectores da nova classe política para enriquecer, assim como a falta de valores morais.
O que falta mudar?
Neste momento, eu diria quase tudo.
Ainda faz sentido falar nos ideais de Abril?
Os ideais de uma maior igualdade e distribuição da fortuna são hoje, mais do que nunca, uma necessidade.
O que acha quando se diz que Portugal precisa de uma nova revolução?
Faz muito sentido. Não de uma revolução armada, mas uma revolução na classe política e na distribuição da riqueza. Uma revolução na produção e valores dos portugueses, na contribuição de todos para um Portugal melhor.
Entrevista editada por Bárbara Cruz