“Estamos fartos da guerra, que foi feita pelo cabo-verdiano Amílcar Cabral e não pelos fulas da Guiné”, diz Burano Laldé, auxiliar do chefe da tabanca fula de Pirada, junto da fronteira. Burano Baldé falava no V Congresso dos Povos da Guiné, “exemplar manifestação de portuguesismo e de ânsia de paz e progresso”, lê-se na primeira página do Diário de Notícias. No final do encontro, que reuniu “cerca de cento e cinquenta homens grandes de etnia fula”, surge a seguinte sugestão: “Devíamos mandar uma delegação de filhos da Guiné à ONU para demonstrarmos que manteremos a paz e é o PAIGC que está a complicar essa paz.” O chefe do Governo, Marcello Caetano, chegava de avião a Paris, à frente da delegação portuguesa, para assistir às exéquias em memória do presidente Pompidou.
Por Francisco Mangas